Há muito tempo, quem acompanha a cena e a evolução da música do gênero Dance, onde podemos definir cena Dance como os estilos que nasceram a partir da Disco Music e não do Rock and Roll, está acostumado a ouvir música produzida de forma eletrônica. Falo isso simplesmente pelo fato de que após os anos 70, onde as músicas eram tocadas com os instrumentos ao vivo mesmo, a música passou a ser inventada nos computadores cada vez mais poderosos que iam surgindo na época e que tem sua evolução dia após dia até hoje. Timbres, teclados, baterias, ruídos, sons, caixas, tudo isso saindo dos computadores e não mais dos próprios instrumentos fizeram com que muitas pessoas, com formação musical tradicional ou não, passassem a se aventurar na produção musical. A era da informática proporcionou um fato curioso, simplesmente os estúdios ficaram mais baratos de serem construídos por serem menores e também fez com que os instrumentos em si deixassem de ser comprados para serem substituídos pelos muitos vsts existentes no mercado e também na Internet.
Assim, produtores conseguiam criar para artistas diversos e para si mesmos, músicas com sonoridades cada vez mais diferentes do que o que se ouvia antigamente. Apesar de inúmeros instrumentos musicais disponíveis para a criação de novas canções, ao longo do tempo o computador gerou um fato. Simplesmente a manipulação digital do som, qualquer fosse o instrumento representado pelo vst, fez com que as possibilidades se multiplicassem a cada pequena alteração nos seus painéis de configuração.
E é isso que faz a diferença entre uma música boa e uma excelente, de um produtor que é bom para um que é excelente, daquele cara que consegue tirar o melhor som e fazer a caixa realmente bombar a pista e os outros simplesmente ficarem pensando em uma só palavra: “Como”?
Assim, temos os excelentes. E esses caras ditam o que será a música do dia de amanhã produzindo novas misturas nos seus estúdios e até mesmo nos seus notebooks em suas viagens através do globo terrestre. Suas experiências, seus contatos com as músicas novas de seus conterrâneos ou dos excelentes do outro lado do mundo, vão moldando a nova música eletrônica continuamente através do tempo.
E essa nova moldagem musical que irá fazer as velhas e as novas pessoas dançarem é difícil de descobrir, pois é um jogo de xadrez onde a nova música é posta em uma prova de fogo nos clubs de todo o mundo a toda hora. São as chamadas músicas de tendência.
A própria palavra tendência em sua essência é o que explica se deu certo este jogo de xadrez ao redor do mundo ou não. Tendência é algo que possivelmente se tornará real, mas pode não se tornar. Por isso, as mistura de ritmos podem gerar um novo estilo e este ser a música do amanhã. O Jungle fez surgir o Drum and Bass, que é uma nova maneira de fazer o Jungle. O ElectroHouse veio do House misturado a uma nova idéia e timbres, assim como o PsyTrance veio do Trance. Podemos pegar o Bass do Drum and Bass, a cadência e o pitch do PsyTrance e os médios e agudos do ElectroHouse e criar o ElectroTranceBass. E esse novo gênero ir bem nas pistas, levando porções maiores de pessoas ao delírio a cada festa, e então, outros produtores começarem a usar a idéia e aí temos o som do amanhã.
Dessa maneira, o futuro da música eletrônica está garantido, pois o aprovar e o desaprovar das músicas são ótimos ao mesmo tempo. Além disso, são diários ao redor do mundo. E sempre o que vai ficando para o futuro é o aprimoramento e uma música melhor de ser ouvida por mais pessoas, dessa maneira, o futuro da música eletrônica é o presente que os produtores nos dão diariamente, sendo ao mesmo tempo previsível e imprevisível.
Robson Fernandes